Milverdes: o sonho de transformar hospitalidade em oportunidade de vida na serra de Teresópolis
Idealizada para contribuir com a manutenção de uma instituição que acolhe crianças e adolescentes em situação de risco, a pousada une natureza, acolhimento e responsabilidade social. À frente da administração, Eduarda Breguez Cardiano e Filipe de Castro Cardiano trabalham para fortalecer o empreendimento e aproximá-lo de seu propósito original.
Em meio ao verde da serra de Teresópolis, entre montanhas, árvores e caminhos que convidam a desacelerar, a Milverdes guarda uma história que vai além da hospedagem. Por trás dos chalés rústicos, do lago, da piscina e da tranquilidade da paisagem, existe um projeto concebido com uma finalidade maior: contribuir para a manutenção de uma instituição dedicada ao acolhimento de crianças e adolescentes em situação de risco.

Idealizada por Vera de Castro Cardiano e José Ivan Coutinho Cardiano, a pousada nasceu do desejo de criar uma fonte de recursos para a Associação Nova Vida (@abrigoanv). A proposta era unir a atividade turística à responsabilidade social, fazendo da hospitalidade um instrumento de apoio à manutenção do abrigo e de geração de oportunidades para os jovens acolhidos.
O projeto teve como uma de suas principais inspirações o pastor Ivan José Coutinho, hoje falecido, que idealizou o empreendimento com o propósito de contribuir para o sustento da instituição.
A intenção era que a pousada se tornasse um braço de sustentabilidade da Associação Nova Vida, ajudando a custear as despesas do abrigo e criando oportunidades de trabalho e preparação profissional para os jovens.

Hoje, a administração está sob a responsabilidade de Eduarda Breguez Cardiano, com a participação de Filipe de Castro Cardiano. É Eduarda quem compartilha os desafios, as conquistas e os planos de um empreendimento que busca conciliar a operação de uma pousada com uma missão social de grande responsabilidade.
“O projeto nasceu com um propósito muito especial: gerar recursos para ajudar a manter o abrigo. A ideia sempre foi que a pousada pudesse caminhar junto com a Associação Nova Vida e contribuir para que esse trabalho continuasse”, explica Eduarda.
O sonho, porém, ainda está em construção. Os custos para manter tanto a hospedagem quanto o abrigo são elevados, e o movimento de hóspedes permanece abaixo do necessário para que a pousada consiga assumir integralmente o sustento da instituição.
“Infelizmente, ainda não conseguimos alcançar essa realidade. Os custos para manter o hotel e o abrigo são muito altos, e o movimento da pousada ainda é pequeno. Temos muito trabalho pela frente para conseguir realizar esse sonho”, conta a administradora.
A fala revela um dos principais desafios do empreendimento: transformar uma iniciativa criada com propósito em uma operação financeiramente sustentável, capaz de ampliar seu impacto ao longo do tempo.

Um propósito que se traduz em necessidades concretas
O impacto social da Milverdes aparece, sobretudo, nas necessidades cotidianas da Associação Nova Vida. Mais do que uma contribuição financeira, a pousada participa da estrutura que permite à instituição continuar acolhendo seus residentes.
Um dos exemplos mais significativos está no abastecimento de água. Atualmente, a captação é feita por meio de mangueiras instaladas a aproximadamente dois quilômetros de distância. A instituição busca alternativas para perfurar um poço próprio, uma solução que poderia proporcionar maior autonomia e segurança no abastecimento.
“Estamos buscando maneiras de conseguir perfurar um poço para as crianças do abrigo, porque isso faria muita diferença. Hoje, a água chega por meio de mangueiras que vêm de aproximadamente dois quilômetros de distância, mas ainda não conseguimos viabilizar esse projeto”, relata Eduarda.
O gás é outra despesa importante. Na instituição, os chuveiros e a cozinha funcionam praticamente durante todo o dia. São cinco refeições diárias para as crianças, além de toda a estrutura necessária para manter a rotina de cuidados.
“Só a rotina da instituição já exige muito. As crianças fazem cinco refeições por dia, e os chuveiros e a cozinha funcionam praticamente o tempo todo. São despesas essenciais, que precisam ser mantidas diariamente”, explica.
Nesse contexto, o apoio da pousada contribui para cobrir despesas essenciais e aliviar parte dos custos do abrigo. A relação entre os dois espaços também se manifesta de maneira mais afetiva.
Durante o verão, aos domingos, depois do check-out dos hóspedes, as crianças costumam aproveitar a piscina da pousada. Um espaço associado ao descanso e ao lazer dos visitantes também se transforma em lugar de convivência e diversão para quem vive na instituição.
“É muito importante que as crianças também possam aproveitar esse espaço. A pousada não existe separada do abrigo; ela está ligada a essa história e ao propósito de contribuir com a instituição”, afirma Eduarda.
A proposta é fazer com que a Milverdes seja uma extensão da Associação Nova Vida, não apenas na manutenção material, mas também na criação de experiências e oportunidades.

Trabalho e oportunidade para construir novos caminhos
Entre os objetivos do projeto está a possibilidade de oferecer aos jovens acolhidos experiências profissionais que contribuam para sua autonomia no futuro.
A inserção no mercado de trabalho pode representar um passo importante na construção de novos caminhos, especialmente para adolescentes que precisam desenvolver habilidades, adquirir experiência e ampliar suas perspectivas de vida.
A Milverdes já coloca essa ideia em prática. Izabela, atualmente contratada pela pousada, representa um exemplo concreto da proposta de oferecer oportunidades e preparar jovens para o mercado de trabalho.
“Queremos que a pousada também seja um lugar de aprendizado, onde os jovens possam ter oportunidades, adquirir experiência e se preparar para o futuro. Hoje já temos a Izabela trabalhando conosco, e nosso desejo é poder contratar mais jovens à medida que conseguirmos crescer”, conta a administradora.
A intenção é ampliar esse movimento à medida que o empreendimento consiga fortalecer sua operação. O sonho é abrir espaço para que mais jovens possam trabalhar, aprender e desenvolver competências em um ambiente profissional, construindo referências para a vida adulta.
Nesse sentido, o projeto carrega uma dimensão que ultrapassa a geração de receita: a possibilidade de transformar uma atividade econômica em instrumento de inclusão e desenvolvimento humano.
Entre montanhas, simplicidade e acolhimento
Com 22 chalés rústicos e independentes, a Milverdes convida o visitante a experimentar outro ritmo. A paisagem serrana, o contato com o verde e a distância da agitação urbana compõem uma proposta de hospedagem voltada à tranquilidade.
A estrutura inclui piscina, sauna, lago para pesca e passeios a cavalo, além de café da manhã completo. A localização também permite explorar atrações da região, incluindo vinícolas como a Maturano.
Há, ainda, atividades que valorizam a própria paisagem, como piqueniques próximos à cachoeira e momentos dedicados à contemplação do pôr do sol. A intenção é oferecer ao hóspede a oportunidade de desacelerar, aproveitar o ambiente natural e redescobrir prazeres simples.
Para Eduarda, a experiência precisa ir além da estrutura física e das opções de lazer.
“Queremos que as pessoas se sintam acolhidas de verdade. Que encontrem paz, tranquilidade e um atendimento humanizado. A ideia é que o hóspede chegue aqui e consiga se desconectar um pouco da correria, aproveitar a natureza e se sentir bem”, destaca.
A proposta é oferecer uma experiência em que o visitante possa descansar, estar em contato com a paisagem e, ao mesmo tempo, conhecer o propósito social que acompanha a história da pousada.
Ao escolher a Milverdes, o hóspede também passa a fazer parte dessa história. A proposta é que a experiência de lazer esteja conectada a uma iniciativa que busca contribuir para o cuidado de crianças e adolescentes.
Viver a natureza também significa respeitá-la
Na Milverdes, a natureza não funciona apenas como cenário. Ela faz parte da rotina e influencia a maneira como a propriedade é cuidada e apresentada aos visitantes.
A manutenção envolve serviços de roçada, poda e conservação dos caminhos, garantindo condições adequadas para a circulação e a visitação. O trabalho, entretanto, acontece em uma área onde a presença da fauna é parte da experiência.
Pássaros, sapos, porcos-espinhos, gambás, peixes e cavalos fazem parte do ambiente.
Por isso, a proposta exige que o visitante compreenda que está em contato direto com um espaço natural, sujeito aos ritmos e às características próprias da vida na serra.
A pousada também é pet friendly, ampliando as possibilidades para quem deseja viajar acompanhado de seus animais de estimação.
“Estamos em meio à natureza, e quem vem para cá precisa gostar dessa proposta e entender que os animais fazem parte do ambiente. Temos pássaros, sapos, porcos-espinhos, gambás, peixes, cavalos e muitas outras formas de vida. Procuramos cuidar da propriedade e manter os caminhos em boas condições, respeitando as características do lugar”, explica Eduarda.
Mais do que oferecer uma paisagem bonita para fotografias, a experiência envolve uma convivência com o ambiente natural em que a presença humana precisa se adaptar à dinâmica da serra.
É essa integração que orienta a manutenção dos chalés na paisagem e a preservação da atmosfera de tranquilidade da propriedade.

Os desafios de manter o sonho vivo
Se a história da Milverdes começou com a intenção de gerar recursos para a Associação Nova Vida, seu principal desafio hoje é transformar essa intenção em uma realidade financeira sustentável.
A pousada ainda não alcançou o volume de movimento necessário para funcionar com a mesma dinâmica de um hotel consolidado. Ao mesmo tempo, precisa arcar com os próprios custos de operação e manutenção, enquanto a instituição que pretende apoiar enfrenta despesas elevadas para garantir o atendimento diário às crianças e aos adolescentes.
Esse cenário evidencia a complexidade de um empreendimento que busca conciliar atividade econômica e impacto social. Para que a proposta alcance todo o seu potencial, é necessário fortalecer a operação da pousada, atrair mais hóspedes e criar condições para que a receita gerada contribua de maneira mais ampla e constante para a instituição.
Os planos para o futuro incluem a reforma dos chalés e de outras dependências, melhorias nos caminhos e na infraestrutura, além da ampliação das experiências oferecidas aos visitantes.
“Temos muitos sonhos. Queremos reformar os chalés, melhorar as dependências e os caminhos, oferecer mais conforto aos hóspedes e criar condições para que a pousada cresça. Mas, acima de tudo, queremos que esse crescimento ajude a sustentar o abrigo e nos permita oferecer oportunidades a mais jovens”, afirma Eduarda.
As mudanças têm como objetivo aprimorar a estrutura, proporcionar mais conforto e abrir novas possibilidades de hospedagem e lazer.
Há também uma ambição que permanece no centro do projeto: ampliar a capacidade da Milverdes de sustentar integralmente o abrigo e contratar mais jovens, multiplicando as oportunidades de formação profissional.
São metas que dependem de investimento, planejamento e crescimento, mas que preservam a ideia que orientou a criação da pousada.

Uma viagem que pode fazer parte de algo maior
Em um momento em que as viagens também podem representar oportunidades de conexão com iniciativas locais, a Milverdes apresenta uma proposta que aproxima turismo, natureza e responsabilidade social.
Seu diferencial não está apenas nos chalés independentes, na paisagem montanhosa ou nas possibilidades de lazer. Está na história de um projeto que nasceu do desejo de contribuir para o cuidado de crianças e adolescentes e que procura, por meio da hospitalidade, construir condições para manter esse trabalho.
A pousada ainda enfrenta o desafio de alcançar a sustentabilidade financeira imaginada por seus idealizadores. Reconhecer essa realidade é parte importante de compreender a dimensão do projeto e os passos que ainda precisam ser dados.
Enquanto busca ampliar sua movimentação e aprimorar sua estrutura, a Milverdes segue ligada à Associação Nova Vida por um objetivo que permanece vivo: fazer com que o turismo possa gerar não apenas experiências para quem chega, mas também recursos, oportunidades e perspectivas para quem precisa de apoio.
Em Teresópolis, entre o verde da serra e a simplicidade de uma hospedagem integrada à natureza, o projeto de Vera de Castro Cardiano e José Ivan Coutinho Cardiano continua buscando caminhos para se fortalecer. Sob a administração de Eduarda Breguez Cardiano e Filipe de Castro Cardiano, a missão é aproximar cada vez mais a pousada de seu propósito original: transformar hospitalidade em cuidado e oportunidade.
Porque, na Milverdes, a expectativa é que cada etapa de crescimento represente mais do que melhorias na hospedagem. Que signifique também a possibilidade de ampliar o apoio à Associação Nova Vida e abrir novas portas para os jovens que fazem parte dessa história.

Contatos:
(21) 999269139 (Pousada)
(21) 998441833 (Abrigo)
@abrigoanv
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