Alexandra Zunino: da saúde à beleza consciente, a empresária que transformou uma reinvenção pessoal em propósito
Depois de 35 anos à frente de diferentes áreas de uma empresa de saúde, empresária catarinense decidiu começar de novo e criou a Lazú Maquiagens, marca que une beleza, tecnologia, autocuidado e propósito
Há recomeços que acontecem quando tudo parece estar no lugar. E há aqueles que nascem justamente quando a vida pede uma mudança de rota.
Foi assim com Alexandra Zunino, carinhosamente chamada de Lê. Depois de 35 anos dedicados ao setor da saúde, em uma trajetória que começou aos 16 anos e passou por praticamente todas as áreas da empresa fundada por seu pai, em Florianópolis, a empresária decidiu que era hora de experimentar um novo capítulo.
Em 2021, a administradora e pós-graduada em Gestão da Saúde trocou parte da rotina do universo médico por outro território que sempre despertou seu interesse: a beleza.
Mas não se tratava simplesmente de criar mais uma marca de maquiagem.
A experiência acumulada durante décadas trabalhando com saúde fez Alexandra olhar para a indústria da beleza por outro ângulo. Ela começou a se perguntar o que, afinal, as mulheres estavam colocando sobre a própria pele e por que tantas delas estavam deixando de se maquiar por receio de alergias, irritações ou simplesmente por não conhecerem a composição dos produtos.
Foi dessa inquietação que nasceu a Lazú Maquiagens.
Inspirada no lápis-lazúli, pedra associada à sabedoria e à autenticidade, a marca catarinense passou a construir sua identidade sobre uma combinação que Alexandra considera essencial: beleza, ciência, natureza e consciência.
“A Lazú nasceu de uma vontade muito pessoal: a minha. Depois de mais de três décadas dedicadas à saúde, senti que era hora de me reinventar e unir duas paixões — a beleza e o cuidado.”
A história de Alexandra, portanto, é também a história de uma mulher que decidiu não ficar limitada àquilo que já havia construído.

Uma carreira construída dentro da saúde
Antes de falar sobre maquiagem, é preciso voltar algumas décadas.
Alexandra começou a trabalhar aos 16 anos no Laboratório Médico Santa Luzia, empresa fundada por seu pai, o Dr. Zunino, em Florianópolis. Ali, construiu uma trajetória pouco comum: conheceu a empresa por dentro, passou pela recepção, percorreu diferentes áreas e chegou à presidência.
Foram 35 anos de experiência em um setor no qual precisão, responsabilidade e cuidado fazem parte da rotina.
Essa formação empresarial acabou se tornando uma espécie de base para o novo empreendimento.
Ao decidir entrar no mercado da beleza, Alexandra não abandonou a experiência acumulada na saúde. Ao contrário: levou esse repertório para dentro da nova empresa.
A Lazú nasceu justamente nesse encontro entre dois universos que, à primeira vista, poderiam parecer distantes.
De um lado, a maquiagem, historicamente associada à estética e à transformação da aparência. Do outro, a saúde, com sua preocupação com segurança, composição, cuidado e qualidade.
A proposta da empresária foi aproximar esses mundos.
A maquiagem que começa antes do espelho
Para Alexandra, a discussão sobre beleza não deveria terminar na cor de um batom, no acabamento de uma base ou na duração de uma maquiagem.
Ela começa antes.
Começa na pergunta: o que estamos colocando na nossa pele?
É nesse ponto que a Lazú procura construir sua identidade.
Segundo a empresária, a marca trabalha dentro do conceito de clean beauty, com fórmulas que não utilizam parabenos, petrolatos e determinadas substâncias que a marca considera incompatíveis com sua proposta. Os produtos também incorporam ativos como óleo de rosa mosqueta, manteiga de cacau, manteiga de karité, aloe vera, niacinamida e ácido hialurônico.
A empresa afirma ainda trabalhar com produtos veganos e cruelty-free, com selo PETA, além de produtos hipoalergênicos e dermatologicamente testados.
A proposta, entretanto, não é apenas retirar ingredientes da fórmula.
Alexandra aposta na combinação entre ingredientes e tecnologia.
A nanotecnologia aparece como uma das ferramentas utilizadas pela marca para potencializar a entrega dos ativos à pele. Entre os produtos citados pela empresária está o Sérum Cristal, cuja comunicação da marca aponta redução de rugas e linhas finas de até 84% em 30 dias, segundo testes realizados para o produto.
É uma estratégia que traduz o posicionamento que Alexandra pretende construir: uma beleza que não precise ser colocada em oposição ao cuidado.
“Beleza limpa não pode ser beleza pela metade.”
A frase resume uma das ideias centrais da empresária. Para ela, uma maquiagem consciente não deve significar abrir mão de textura, cor, acabamento ou durabilidade.
A mulher deve poder escolher um produto pensando naquilo que deseja para sua aparência e, ao mesmo tempo, naquilo que considera importante para sua pele.

Quando o autocuidado deixa de ser luxo
Existe ainda uma dimensão mais subjetiva no projeto de Alexandra.
Para ela, autocuidado não precisa necessariamente significar grandes rituais, horas disponíveis ou uma rotina sofisticada.
Pode estar em alguns minutos diante do espelho.
Passar um creme. Fazer uma massagem no rosto. Escolher uma maquiagem. Olhar para si mesma.
Em uma sociedade na qual muitas mulheres vivem divididas entre trabalho, família, filhos, responsabilidades e cobranças, esses pequenos gestos podem acabar ficando para depois.
Alexandra acredita que justamente aí existe uma mudança possível.
“A Lazú também devolve à mulher alguns minutos do dia que são só dela.”
A ideia é simples, mas ganha outra dimensão quando associada à trajetória da própria empresária. Depois de décadas dedicadas à carreira, Alexandra decidiu criar uma empresa que fala diretamente sobre a necessidade de a mulher também voltar o olhar para si.
Não se trata apenas de aparência. Trata-se de escolha.
“Essa escolha consciente é um ato de amor próprio.”
É nesse ponto que a maquiagem deixa de ser apenas maquiagem.
Ela passa a funcionar, na visão da empresária, como uma porta de entrada para uma relação mais consciente com o próprio corpo e com a própria imagem.
Sabedoria e autenticidade como identidade
O nome Lazú não foi escolhido por acaso.
A inspiração vem do lápis-lazúli, pedra conhecida por sua coloração azul intensa e historicamente associada a significados como sabedoria e autenticidade.
Esses dois conceitos passaram a orientar a identidade da marca.
A sabedoria está relacionada à informação: conhecer ingredientes, ler rótulos, entender o que está sendo usado e fazer escolhas de maneira consciente.
A autenticidade está na possibilidade de usar a beleza como expressão pessoal, sem precisar se encaixar em um padrão único.
Alexandra resume essa filosofia em uma imagem bastante simples: a mulher diante do espelho.
A experiência que a Lazú pretende proporcionar, segundo ela, reúne três sensações: performance, cuidado e confiança.
A primeira está relacionada ao desempenho do produto.
A segunda, à experiência da pele.
A terceira, à transparência sobre aquilo que está sendo consumido.
“Ela sabe exatamente o que está usando.”
Essa transparência, na visão da empresária, é parte importante da relação entre marca e consumidor. A Lazú afirma disponibilizar a composição dos produtos no site e nas embalagens, permitindo que a consumidora consulte os ingredientes antes da compra.
De empresária a agente de transformação
A trajetória de Alexandra também ultrapassa os limites da empresa.
Ela é embaixadora da Junior Achievement, conselheira da Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF) e atua como voluntária no Educandário, em Santa Catarina.
Também criou o projeto “A Beleza em Cada História”, iniciativa que busca dar visibilidade a mulheres com trajetórias inspiradoras e abrir espaço para histórias de força, recomeço e protagonismo.
O projeto revela uma característica importante da visão de Alexandra sobre empreendedorismo: a ideia de que uma empresa pode ser também uma plataforma de transformação.
É uma proposta que aparece novamente quando ela fala sobre o futuro da Lazú.
A empresária não quer limitar o crescimento da marca ao número de produtos ou à expansão comercial.
Quer ampliar a conversa.
O próximo passo: ensinar a escolher
Para os próximos anos, Alexandra aponta três caminhos principais.
O primeiro é ampliar a atuação da Lazú no segmento de skincare, desenvolvendo produtos que aprofundem a relação entre tratamento e beleza.
O segundo é investir em educação.
A empresária acredita que uma marca de beleza consciente não deveria apenas colocar um produto no mercado, mas também ajudar o consumidor a compreender aquilo que está comprando.
Ler rótulos. Conhecer ingredientes. Fazer perguntas. Comparar. Escolher.
Nesse sentido, a empresa pretende ocupar também um espaço de informação.
A terceira frente é social.
Alexandra quer ampliar o projeto “A Beleza em Cada História” e transformar a iniciativa em uma plataforma cada vez maior para mulheres que têm histórias de coragem, recomeço e protagonismo.
“Quero que a Lazú seja lembrada não só pelos produtos, mas pelas mulheres que ela ajudou a inspirar.”
É uma ambição que muda a escala da conversa.
A empresa deixa de falar somente sobre maquiagem e passa a falar sobre mulheres.
O verdadeiro recomeço
Talvez a parte mais interessante da trajetória de Alexandra esteja justamente no intervalo entre aquilo que ela já havia construído e aquilo que decidiu começar.
Depois de 35 anos no mesmo setor, com uma carreira consolidada e uma posição de liderança, ela poderia ter escolhido permanecer no território conhecido.
Escolheu outro caminho.
Não começou do zero — porque ninguém começa.
Levou consigo décadas de experiência, conhecimento de gestão, disciplina, repertório e uma relação profunda com o universo da saúde.
Mas teve coragem para transformar tudo isso em uma nova possibilidade.
A Lazú é, nesse sentido, mais do que o resultado de uma oportunidade de mercado. É também o registro de uma reinvenção pessoal.
E talvez seja justamente por isso que a palavra “propósito” apareça tantas vezes quando Alexandra fala sobre a marca.
Seu sonho, hoje, não é apenas fazer a Lazú crescer.
É fazer com que a empresa participe de uma mudança de comportamento: uma mulher mais informada sobre o que consome, mais consciente das escolhas que faz e, principalmente, mais disponível para olhar para si mesma.
“No fim, o território que ainda queremos conquistar não é apenas um mercado — é o coração das mulheres.”

A frase poderia ser apenas uma declaração de intenção empresarial.
Mas, olhando para a trajetória de Alexandra, ela ganha outro significado.
A mulher que começou a trabalhar aos 16 anos, passou 35 anos no universo da saúde e decidiu se reinventar encontrou na beleza um novo caminho para falar justamente sobre aquilo que atravessou sua própria história: cuidado.
E talvez seja essa a principal ideia por trás da Lazú.
Que beleza e cuidado não precisem disputar espaço.
Que informação também possa fazer parte da beleza.
Que alguns minutos diante do espelho possam ser mais do que vaidade.
E que recomeçar, mesmo depois de décadas construindo uma história em outra direção, continue sendo uma possibilidade. Para Alexandra Zunino, o próximo capítulo começou em 2021.
E ainda está sendo escrito.
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